Cronologia dos reis de Israel e Judá completa

Cronologia dos reis de Israel e Judá completa

A cronologia dos reis de Israel e Judá causa dúvidas porque a Bíblia apresenta primeiro uma monarquia unificada e, depois, dois reinos que existiram simultaneamente. Enquanto Israel, no Norte, tinha um rei em Samaria, Judá, no Sul, mantinha sua própria dinastia em Jerusalém. Além disso, os livros bíblicos usam referências cruzadas, diferentes formas de contar os anos e, em alguns casos, possíveis corregências.

Por isso, organizar essa história exige mais do que colocar nomes em sequência. É necessário distinguir o período da monarquia unida, acompanhar as duas linhas sucessórias após a divisão e observar os acontecimentos que levaram à queda de Samaria e de Jerusalém. A seguir, você encontrará uma visão organizada e cautelosa da sequência dos reis, com destaque para os principais acontecimentos e para os fatores que tornam essa cronologia mais complexa.

Por que a cronologia dos reis de Israel e Judá é difícil de organizar?

A dificuldade começa depois da morte de Salomão. Até então, Saul, Davi e Salomão são apresentados como governantes de um único reino. Após a crise de sucessão, Roboão permaneceu associado a Judá, enquanto Jeroboão I passou a governar as tribos que formaram o Reino do Norte, geralmente chamado de Israel.

A partir desse momento, não existe mais uma lista única de reis. É preciso acompanhar duas linhas paralelas:

  • Reino de Israel ou Reino do Norte: teve sua principal capital em Samaria e foi governado por várias dinastias.
  • Reino de Judá ou Reino do Sul: teve Jerusalém como centro político e manteve a dinastia davídica durante a maior parte de sua história.

Os livros de Reis frequentemente informam que um governante começou a reinar no determinado ano do rei que estava no poder no outro reino. Essas referências são chamadas de sincronismos. Elas ajudam a relacionar os acontecimentos, mas podem gerar dificuldades quando são comparadas com diferentes sistemas de contagem dos anos.

Outro fator é a possibilidade de corregências. Em alguns períodos, o sucessor pode ter começado a exercer funções administrativas antes da morte do rei anterior. Quando isso ocorre, a duração oficial do reinado pode não coincidir exatamente com o período em que o sucessor já participava do governo.

Também é importante considerar que os livros de 1 e 2 Reis e 1 e 2 Crônicas possuem objetivos diferentes. Reis apresenta a história dos dois reinos, avaliando os governantes principalmente por sua fidelidade religiosa. Crônicas concentra-se mais em Judá, na dinastia de Davi, no templo e nas reformas religiosas. As duas coleções se complementam, mas não funcionam como cópias idênticas.

A monarquia unida: Saul, Davi e Salomão

Antes da divisão, Israel é apresentado como um reino unido sob três governantes principais: Saul, Davi e Salomão. A duração exata de alguns períodos é discutida, mas a ordem geral é clara.

Período Governantes principais Característica central
Monarquia unida Saul, Davi e Salomão Um único reino antes da separação política
Reino do Norte Jeroboão I a Oseias Várias dinastias e capital em Samaria
Reino do Sul Roboão a Zedequias Continuidade da dinastia de Davi em Jerusalém

Saul, o primeiro rei

Saul, da tribo de Benjamim, é apresentado como o primeiro rei de Israel. Sua escolha ocorreu em um contexto de pressão militar e desejo de estabelecer uma liderança nacional. Os livros de Samuel descrevem sua atuação em conflitos contra povos vizinhos e sua relação difícil com o profeta Samuel.

A narrativa bíblica destaca tanto os sucessos iniciais de Saul quanto decisões que, segundo o texto, comprometeram sua posição. Davi foi ungido por Samuel ainda durante o governo de Saul e passou a ganhar reconhecimento entre o povo. Depois de um período de tensão entre os dois, Saul morreu em uma batalha contra os filisteus, abrindo espaço para a ascensão de Davi.

O período exato do reinado de Saul não é apresentado de maneira uniforme em todas as tradições textuais. Atos 13:21 menciona quarenta anos, enquanto 1 Samuel 13:1 possui uma dificuldade textual relacionada aos números. Assim, o dado mais seguro para a sequência é que Saul precedeu Davi e governou antes da divisão do reino.

Davi e a consolidação de Jerusalém

Davi não assumiu imediatamente o controle de todo Israel. Inicialmente, foi reconhecido como rei de Judá em Hebrom, enquanto Isbosete, filho de Saul, era associado ao governo das demais tribos. Depois de um período de disputas e negociações, as tribos reconheceram Davi como rei sobre todo Israel.

Segundo 2 Samuel 5:4-5, Davi governou sete anos e seis meses em Hebrom e trinta e três anos em Jerusalém, totalizando quarenta anos. A conquista de Jerusalém foi decisiva para sua administração. A cidade passou a ser a capital política e, posteriormente, tornou-se também o principal centro religioso da monarquia.

Davi levou a arca da aliança para Jerusalém e organizou uma estrutura administrativa mais ampla. Seu reinado envolveu campanhas militares, alianças e disputas internas, mas a principal contribuição para a cronologia foi o estabelecimento de uma capital e de uma dinastia que continuaria em Judá após a divisão.

Salomão e o fim da unidade política

Salomão sucedeu Davi depois de uma disputa pelo trono. Seu reinado é associado à construção do templo em Jerusalém, à expansão da administração, ao comércio e à formação de uma corte influente. O texto de 1 Reis 11:42 atribui a ele quarenta anos de governo.

A construção do templo começou no quarto ano de seu reinado e levou aproximadamente sete anos, segundo 1 Reis 6. Salomão também edificou seu palácio, fortalezas e centros administrativos. Essas obras fortaleceram a organização do reino, mas exigiram tributos e trabalho obrigatório, gerando insatisfação entre as tribos.

Após a morte de Salomão, Roboão rejeitou o conselho de reduzir as exigências impostas pelo governo anterior. A resposta provocou a separação das tribos do Norte, que seguiram Jeroboão I. Esse acontecimento encerrou a monarquia unida e inaugurou duas linhas de reis.

A divisão entre Israel e Judá

Roboão permaneceu ligado ao Reino de Judá, centrado em Jerusalém. Jeroboão I tornou-se o primeiro rei do Reino do Norte, formado pelas tribos que romperam com a casa de Davi.

Depois da divisão, o termo “Israel” pode ter dois sentidos. Em alguns textos, designa todo o povo ou território israelita. Na cronologia dos reis, porém, geralmente identifica o Reino do Norte. Judá, por sua vez, refere-se ao Reino do Sul e à dinastia que continuou ligada a Davi.

Essa distinção é importante porque alguns nomes aparecem nas duas linhas. Há, por exemplo, um rei chamado Acazias em cada reino. Também existem nomes semelhantes, como Jorão e Jeorão, além de Joás e Jeoás. Para evitar confusão, é necessário observar o reino, a cidade de governo e o pai do monarca.

Cronologia dos reis de Israel, o Reino do Norte

O Reino do Norte teve uma sucessão mais instável do que Judá. Ao longo de sua história, diferentes dinastias chegaram ao poder, algumas após mudanças internas. A sequência tradicional, conforme os livros de Reis, é a seguinte:

Ordem Rei de Israel Observação principal
1 Jeroboão I Fundador do Reino do Norte
2 Nadabe Filho de Jeroboão I
3 Baasa Iniciou nova dinastia
4 Elá Filho de Baasa
5 Zinri Governou por curto período
6 Onri Estabeleceu Samaria como capital
7 Acabe Reinado associado a Elias e Eliseu
8 Acazias Filho de Acabe
9 Jorão Último rei da dinastia de Onri
10 Jeú Fundador de uma nova dinastia
11 Jeoacaz Filho de Jeú
12 Jeoás Também chamado Joás
13 Jeroboão II Período de expansão territorial
14 Zacarias Governou por aproximadamente seis meses
15 Salum Governou por aproximadamente um mês
16 Menaém Pagou tributo à Assíria
17 Pecaías Filho de Menaém
18 Peca Governou durante a expansão assíria
19 Oseias Último rei do Reino do Norte

Jeroboão I e a formação do novo reino

Jeroboão I foi o primeiro governante do Reino do Norte. Inicialmente, estabeleceu sua base em Siquém e também fortificou Penuel. O novo reino precisava criar instituições próprias, pois a antiga estrutura política estava associada à casa de Davi e a Jerusalém.

Para reduzir a dependência religiosa de Jerusalém, Jeroboão estabeleceu centros de culto em Betel e Dã. Os livros de Reis avaliam essa decisão de maneira negativa e apresentam a política religiosa de Jeroboão como um padrão seguido por muitos dos governantes posteriores.

Jeroboão governou aproximadamente vinte e dois anos e foi sucedido por seu filho Nadabe. O Reino do Norte, porém, logo passou por uma mudança dinástica.

Da casa de Baasa à dinastia de Onri

Nadabe governou por cerca de dois anos e foi sucedido por Baasa, que eliminou a primeira dinastia. Baasa reinou aproximadamente vinte e quatro anos. Durante seu governo, houve tensão com Asa, rei de Judá, especialmente em torno de Ramá, uma cidade estratégica próxima à fronteira.

Elá, filho de Baasa, governou por cerca de dois anos. Zinri, um oficial do exército, tomou o poder e permaneceu no trono por apenas sete dias. A breve administração de Zinri foi seguida por uma disputa entre Onri e Tibni. Onri acabou prevalecendo e tornou-se rei de todo o território do Norte.

Onri governou aproximadamente doze anos e comprou o monte de Samaria, onde construiu uma nova capital. Samaria permaneceria como centro político do Reino do Norte até sua conquista pelos assírios. Embora o relato bíblico dedique poucas linhas a Onri, fontes externas também registram a importância de sua dinastia na região.

Acabe, Acazias e Jorão

Acabe, filho de Onri, governou aproximadamente vinte e dois anos. Seu período é associado às atividades dos profetas Elias e Micaías, às relações com a Fenícia e a conflitos com a Síria. O casamento com Jezabel, ligada à casa real de Sidom, aproximou Israel de interesses políticos e religiosos fenícios.

Acabe também manteve relações com Josafá, rei de Judá. Os dois reinos, apesar de separados, cooperaram em uma campanha contra Ramote-Gileade. Acabe morreu durante esse conflito, e Acazias, seu filho, assumiu o trono.

Acazias governou por aproximadamente dois anos. Depois de sua morte, seu irmão Jorão tornou-se rei. Jorão retirou uma imagem de Baal associada ao governo de seu pai, mas os livros de Reis afirmam que ele continuou seguindo a política religiosa atribuída a Jeroboão I.

Durante esse período, Eliseu aparece como uma figura importante nas narrativas proféticas. O Reino do Norte enfrentou conflitos com Moabe e com a Síria, enquanto Samaria sofreu pressão militar. Jorão morreu durante uma revolta liderada por Jeú, encerrando a dinastia de Onri.

Jeú e seus sucessores

Jeú tornou-se rei depois de uma revolta militar e governou aproximadamente vinte e oito anos. Ele encerrou a casa de Acabe e promoveu mudanças na política religiosa oficial, mas manteve os santuários de Betel e Dã. Seu governo coincidiu parcialmente com o de Atalia e de Joás em Judá.

Jeoacaz, filho de Jeú, governou aproximadamente dezessete anos. Durante seu reinado, Israel sofreu forte pressão da Síria. Jeoás, seu sucessor, recuperou parte dos territórios perdidos e entrou em conflito com Amazias, rei de Judá.

Jeoás foi sucedido por Jeroboão II, que governou aproximadamente quarenta e um anos. Seu período foi marcado por recuperação territorial e prosperidade para setores da sociedade, mas também por desigualdades denunciadas pelos profetas Amós e Oseias. A expansão não eliminou a fragilidade política que se tornaria evidente depois de sua morte.

A instabilidade final do Reino do Norte

Zacarias, filho de Jeroboão II, governou cerca de seis meses. Salum o sucedeu e permaneceu no poder por aproximadamente um mês. Menaém então assumiu o trono e governou cerca de dez anos. Durante seu período, o rei assírio Tiglate-Pileser III pressionou Israel, e Menaém pagou tributo para preservar sua posição.

Pecaías, filho de Menaém, reinou aproximadamente dois anos antes de ser substituído por Peca. Este se aliou a Rezim, rei de Damasco, em uma tentativa de pressionar Acaz, rei de Judá. O episódio ficou conhecido como guerra siro-efraimita.

Durante o governo de Peca, a Assíria tomou diversas cidades do Norte e deslocou parte de sua população. Peca foi substituído por Oseias, que se tornou o último rei de Israel.

A queda de Samaria

Oseias governou durante a fase final do Reino do Norte. Inicialmente, submeteu-se à Assíria, mas depois deixou de pagar tributo e procurou apoio externo. Como resposta, os assírios cercaram Samaria.

O cerco durou aproximadamente três anos, segundo 2 Reis 17. A cidade acabou conquistada, e parte da população foi deportada para outras regiões do império. O texto bíblico também menciona a chegada de grupos de diferentes áreas para ocupar cidades de Samaria.

A queda de Samaria marcou o fim do Reino do Norte como monarquia independente. A população remanescente, os antigos territórios e a memória de Israel continuaram aparecendo em textos posteriores, mas não houve uma nova sequência de reis nacionais em Samaria.

Cronologia dos reis de Judá, o Reino do Sul

Judá manteve uma linha dinástica mais contínua, ligada à casa de Davi. A sequência tradicional começa com Roboão e termina com Zedequias, embora Atalia tenha governado efetivamente por cerca de seis anos entre Acazias e Joás.

Ordem Governante de Judá Observação principal
1 Roboão Primeiro rei após a divisão
2 Abias Também chamado Abião
3 Asa Reinado longo e reformas religiosas
4 Josafá Administração e alianças com Israel
5 Jeorão Também chamado Jorão
6 Acazias Governou por aproximadamente um ano
7 Atalia Governante que ocupou o trono por cerca de seis anos
8 Joás Também chamado Jeoás
9 Amazias Conflitou com o Reino do Norte
10 Azarias ou Uzias Reinado de aproximadamente cinquenta e dois anos
11 Jotão Fortaleceu cidades e estruturas do reino
12 Acaz Governou durante a pressão síria e assíria
13 Ezequias Promoveu reformas religiosas
14 Manassés Reinado mais longo de Judá
15 Amom Governou por aproximadamente dois anos
16 Josias Promoveu ampla reforma religiosa
17 Jeoacaz Governou por aproximadamente três meses
18 Jeoaquim Governou durante a ascensão da Babilônia
19 Joaquim Também chamado Jeconias ou Conias
20 Zedequias Último rei de Judá em Jerusalém

Roboão, Abias e Asa

Roboão foi o primeiro rei de Judá após a divisão e governou aproximadamente dezessete anos. Seu período incluiu a invasão de Sisaque, rei do Egito, que alcançou Jerusalém no quinto ano de seu reinado. O episódio é registrado em 1 Reis 14 e 2 Crônicas 12.

Abias, também chamado Abião, sucedeu Roboão e governou aproximadamente três anos. Seu período foi marcado por conflito com Jeroboão I, rei de Israel. Depois dele, Asa assumiu o trono e governou cerca de quarenta e um anos.

Asa promoveu medidas religiosas e administrativas consideradas positivas pelos livros de Reis. Também enfrentou Baasa, rei de Israel, e buscou apoio de Ben-Hadade, governante de Damasco. O episódio mostra que Judá recorria a alianças regionais para lidar com a pressão do Reino do Norte.

Josafá, Jeorão, Acazias e Atalia

Josafá governou aproximadamente vinte e cinco anos. Seu reinado é associado ao fortalecimento administrativo, ao ensino da Lei e à organização do sistema judicial. Ele também manteve alianças com a casa de Onri, incluindo a união entre seu filho Jeorão e Atalia, ligada à família de Acabe.

Jeorão governou cerca de oito anos. Durante seu período, Edom se rebelou e outros grupos pressionaram Judá. Seu filho Acazias assumiu o trono por aproximadamente um ano e manteve vínculos políticos com o Reino do Norte.

Após a morte de Acazias, Atalia governou Judá durante aproximadamente seis anos. Joás, filho de Acazias, foi preservado e posteriormente colocado no trono sob a orientação do sacerdote Joiada. Atalia é geralmente incluída na contagem dos governantes efetivos de Judá, embora algumas listas apresentem apenas os reis homens da dinastia davídica.

Joás, Amazias, Uzias e Jotão

Joás, também chamado Jeoás, governou aproximadamente quarenta anos. Durante a primeira parte de seu reinado, promoveu a reparação do templo. Mais tarde, enfrentou a pressão da Síria e acabou morto em uma conspiração palaciana.

Amazias sucedeu Joás e governou cerca de vinte e nove anos. Ele derrotou os edomitas, mas depois entrou em conflito com Jeoás, rei de Israel. A disputa terminou com a derrota de Judá e o enfraquecimento da posição de Amazias.

Azarias, conhecido também como Uzias, governou aproximadamente cinquenta e dois anos. Seu governo foi associado ao fortalecimento militar, à construção de estruturas defensivas e à expansão da influência de Judá. Nos últimos anos, Jotão passou a administrar parte das responsabilidades reais. Depois da morte de Uzias, Jotão governou por aproximadamente dezesseis anos.

Acaz, Ezequias e Manassés

Acaz governou cerca de dezesseis anos em um período de grande pressão regional. Israel e Damasco formaram uma coalizão contra Judá, mas não conseguiram conquistar Jerusalém. Acaz pediu auxílio à Assíria, decisão que afastou a ameaça imediata, mas submeteu Judá a uma dependência política maior.

Ezequias sucedeu Acaz e governou aproximadamente vinte e nove anos. É descrito como um dos principais reformadores de Judá. Reabriu o templo, reorganizou sacerdotes e levitas, retomou a celebração da Páscoa e removeu elementos de culto que considerava inadequados.

Durante o reinado de Ezequias, Samaria caiu diante da Assíria. Depois, o próprio território de Judá foi pressionado pelo rei assírio Senaqueribe. Jerusalém não foi conquistada nesse episódio, segundo os relatos de 2 Reis, Isaías e 2 Crônicas. Ezequias também é associado à construção do túnel que conduzia água da fonte de Giom para dentro da cidade.

Manassés, filho de Ezequias, governou aproximadamente cinquenta e cinco anos, o reinado mais longo de Judá. Os livros de Reis avaliam negativamente suas práticas religiosas, enquanto Crônicas também relata uma mudança posterior em sua atitude. A permanência de Manassés no trono durante tantas décadas influenciou profundamente a memória histórica de Judá.

Amom, Josias e os últimos reis

Amom governou aproximadamente dois anos e foi sucedido por Josias. Este iniciou seu reinado ainda jovem e governou cerca de trinta e um anos. Durante seu período, foram realizadas reformas religiosas e trabalhos de restauração no templo.

No décimo oitavo ano de Josias, um livro da Lei foi encontrado durante as obras do templo. O episódio levou o rei a consultar a profetisa Hulda e a promover uma renovação da aliança. Josias também reorganizou a celebração da Páscoa e estendeu suas medidas a áreas do antigo Reino do Norte.

Josias morreu em Megido ao tentar impedir o avanço do faraó Neco. Depois disso, a situação política de Judá se deteriorou rapidamente. Jeoacaz governou apenas três meses antes de ser deposto por Neco, que colocou Jeoaquim no trono.

Jeoaquim governou aproximadamente onze anos. Inicialmente submetido ao Egito, passou depois à esfera de influência da Babilônia, após a mudança no equilíbrio político da região. Seu filho Joaquim, também chamado Jeconias ou Conias, governou por cerca de três meses e foi levado para a Babilônia após a rendição de Jerusalém.

Nabucodonosor colocou Matanias, tio de Joaquim, no trono e mudou seu nome para Zedequias. Ele governou aproximadamente onze anos e foi o último rei de Judá em Jerusalém. Sua revolta contra a Babilônia levou ao cerco final da cidade.

A queda de Jerusalém e o fim da monarquia de Judá

O cerco de Jerusalém começou no nono ano de Zedequias e terminou no décimo primeiro ano. A cidade foi conquistada, o templo foi destruído e parte da população foi deportada. A administração de Judá passou a ficar subordinada à Babilônia.

Os relatos bíblicos afirmam que Nabuzaradã, comandante babilônico, incendiou o templo, o palácio e outras construções importantes. As muralhas foram derrubadas, e objetos do templo foram levados para a Babilônia.

A deportação não significou que todos os habitantes foram removidos. Autoridades, soldados, artesãos e grupos considerados estratégicos foram levados, enquanto parte da população permaneceu para trabalhar na terra. Gedalias foi nomeado governador dos remanescentes, mas sua administração durou pouco.

A queda de Jerusalém encerrou a monarquia davídica como governo independente na cidade. A linhagem de Davi continuou presente na memória religiosa e histórica, mas não houve uma nova sequência de reis governando Judá de forma autônoma imediatamente após o exílio.

Como contar os reis de Israel e Judá?

O Reino do Norte teve tradicionalmente dezenove reis, de Jeroboão I a Oseias. Em Judá, a lista tradicional possui vinte governantes quando Atalia é incluída como ocupante efetiva do trono. Quando se contam apenas os reis homens da dinastia davídica, algumas listas apresentam dezenove.

Essa diferença não representa necessariamente uma contradição. Ela depende do critério utilizado. Atalia governou de fato, mas não pertenceu à linha masculina de reis davídicos que começa com Roboão e termina com Zedequias. Por isso, autores diferentes podem apresentar totais distintos.

Também não se devem contar nomes alternativos como se fossem governantes adicionais. Azarias e Uzias são nomes do mesmo rei. Joás e Jeoás também podem se referir ao mesmo governante, dependendo da tradução. Jeconias, Conias e Joaquim são formas associadas ao mesmo rei de Judá.

Qual reino caiu primeiro?

O Reino do Norte caiu primeiro. Samaria foi conquistada pela Assíria durante o governo de Oseias, depois de um cerco que durou aproximadamente três anos. Judá continuou existindo por mais tempo, até a conquista de Jerusalém pela Babilônia durante o reinado de Zedequias.

  1. Israel do Norte: queda de Samaria diante da Assíria.
  2. Judá: queda de Jerusalém diante da Babilônia.

Essa ordem ajuda a localizar Ezequias na cronologia. Ele ainda governava Judá quando Samaria foi conquistada. O Reino do Sul sobreviveu por mais de um século, embora tenha continuado sujeito a pressões de grandes impérios regionais.

Conclusão: como entender a cronologia dos reis de Israel e Judá

A melhor maneira de compreender a cronologia dos reis de Israel e Judá é dividir a história em quatro etapas: a monarquia unida sob Saul, Davi e Salomão; a divisão entre o Reino do Norte e o Reino do Sul; a queda de Samaria diante da Assíria; e a queda de Jerusalém diante da Babilônia.

Depois da divisão, Israel e Judá devem ser acompanhados como duas linhas paralelas. Os reis governaram ao mesmo tempo, fizeram alianças, entraram em conflito e enfrentaram diferentes ameaças externas. Os sincronismos, as possíveis corregências e os sistemas de contagem explicam por que algumas reconstruções apresentam pequenas diferenças nas datas.

Uma leitura cuidadosa também distingue os dados diretamente informados pelos textos das datas aproximadas propostas por estudiosos. Assim, é possível preservar a sequência geral sem transformar todos os detalhes cronológicos em certezas absolutas.

Mais do que uma lista de nomes, essa cronologia mostra a formação, a divisão e o fim das monarquias israelitas. Com as duas linhas organizadas lado a lado, os acontecimentos narrados em Samuel, Reis, Crônicas e nos livros proféticos tornam-se mais fáceis de localizar e comparar.

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